O Diabo Veste Prada [2006] 




Sinopse rápida: Miranda Priestly é a poderosa e insuportável editora da revista de moda Runway, e Andrea Sachs, bicho-grilo, é contratada como sua assistente. Apesar das dificuldades de adaptação, ela consegue ganhar a confiança de Miranda e de quebra muda seu estilo de vida, tornando-se chique e estilosa como todas as outras funcionárias da revista. Sua vida pessoal, no entanto, sofre as conseqüências dessa mudança…
O que eu achei (com spoilers): Esse filme mexeu um bocado comigo, me fez pensar muito em situações que acontecem na minha vida profissional atual. Eu me identifiquei, num certo nível, com Andrea. A cena inicial, em que ela é entrevistada, me deu pânico. Se fosse eu, viraria as costas e jamais voltaria, depois de ser tratada por Miranda daquela maneira estúpida. Lição nº 1: poder não dá a ninguém o direito de faltar com respeito aos outros.
Mas se Andrea fizesse isso, o filme acabaria nos primeiros dez minutos, então ela humilhou-se e aceitou o emprego. E batalhou por ele, mesmo sendo desumano. E transformou-se, adaptando-se ao ambiente, mesmo que este não tivesse absolutamente nada a ver com sua personalidade. Resultado: sua carreira dentro da revista disparou, mas por causa disso ela perdeu os amigos e o namorado. Lição nº 2: não vale a pena mudar seus valores por causa de um emprego.
Uma cena com Miranda que me chamou a atenção foi a que ela fala a Andrea que seu segundo marido pediu o divórcio, e ela está toda tristinha, alguns degraus abaixo no seu pedestal. Lição nº 3: sucesso não é nada se a vida pessoal não vai bem.
Depois de sacanear a colega de trabalho, Andrea percebe que a dedicação profissional desenfreada a está transformando numa megera igual à chefe, e resolve finalmente largar o emprego e voltar a ser como era antes - ou melhor, como era realmente. Assim, ela reconquista o namorado, os amigos, e ainda consegue um emprego num jornal, do jeito que ela queria. Quando vi a cena em que ela entra na redação para fazer a entrevista e encontra um lugar simples, com gente normal e calor humano, me senti aliviada. Parecia eu ali, realizando meu sonho de fazer o que gosto, no meio de gente igual a mim. Lição nº 4: é impossível ser feliz tentando ser alguém que você não é.
Claro que se eu me identifiquei com Andrea, existem também na minha vida os equivalentes (em menor escala, graças a Deus) a Miranda e seus pupilos/as. Sobre esses, porém, eu não irei falar publicamente. E, no fim, a experiência de Andrea com Miranda, a meu ver, não lhe valeu absolutamente nada profissionalmente: ela conseguiria o emprego no jornal com ou sem a carta de referência da ex-chefe.
Por fim, só não dou nota cinco ao filme porque, na minha opinião, Andrea deveria ter seguido seus princípios e não ter aceitado aquele emprego. Não aprovo essa atitude de passar por cima de tudo em nome de um emprego, e achei que o filme não me convenceu da necessidade financeira de Andrea, colocando-a naquela situação tosca só pra ter uma história pra contar.
O filme acabou me levando a uma reflexão extremamente pessoal sobre minha situação atual, a situação que busco e a situação que quero a todo custo evitar. É tudo muito delicado e complicado, mas só reforça o que eu penso sobre jamais passar por cima dos meus valores pessoais. Afinal, a empresa se preocupa com você enquanto você é interessante para ela. Quando ela resolver que você não é mais útil, acabou. Vale a pena mudar tanto por algo que no fundo não o valoriza, ou é melhor procurar algo que se encaixe na sua personalidade e exija de você somente o que você está disposto a dar?